Cogumelo Recheado à Gabriel Pillar

O Gabriel Pillar é um rapaz aqui de Porto Alegre. Era, na verdade. Um acidente de trânsito o vitimou no fim de 2006. Eu o conhecia muito pouco. Nos encontrávamos com alguma freqüência, já que tínhamos alguns bons amigos em comum, em especial o Menezes e o Cardoso, mas nunca chegamos a conversar de fato. E, se o fizemos, foi apenas superficialmente. Sei que tivemos algumas mulheres em comum, não ao mesmo tempo, é bom dizer, e provavelmente hoje seríamos amigos. Ou ao menos nos conheceríamos melhor.

Esta é a adaptação de uma receita que a mãe do Gabriel passou para a Maíra, outra amiga em comum. E digo adaptação porque a original traz apenas três ingredientes. E três não são quatro. Sendo uma receita da mãe do Gabriel, ele provavelmente a degustou em algum momento. Achei fascinante pensar a respeito. E a mágica de tudo isso me forçou a preparar, provar e publicar.

Ainda bem. Pois de fato é uma delícia.

Os 4 ingredientes:

1. Champignon;

2. Queijo Gorgonzola;

3. Alho;

4. Queijo Parmesão.

Preparo:

Eu achei no supermercado cogumelos gigantes frescos, muito maiores que o champignom convencional. Comprei duas bandejas que, ao todo, tinham 18 cogumelos do tamanho de bergamotas. Mas deve funcionar com os pequenos também.

Lave bem os cogumelos. Tem quem goste de tirar a pele que encobre a copa, puxando a partir da borda. Eu não costumo.

Retire os talos e pique-os.

Descasque uma cabeça de alho, pique e frite até dourar. Junte os talos do champignon e refogue. Junte 50ml de água e cozinhe por alguns instantes. Desligue o fogo. Adicione, na própria panela, 200 gramas de queijo gorgonzola picado. Amasse até o gueijo desmanchar. Este é o recheio. Reserve.

Unte uma forma. Não sei se presisa untar de fato. Por via das dúvidas, untei. Sobre ela, distribua os cogumelos com a copa virada para baixo, de forma que cada um deles pareça uma panelinha. Em cada um deles, coloque uma camada fina de recheio e, sobre ela, uma camada ainda mais fina de parmesão ralado.

Leve ao forno pré-aquecido e deixa cozinhar por 10 a 15 minutos ou até os cogumelos murcharem. Não deixe muito tempo depois disso. Não sei o que pode acontecer.

E vamos comer. À memória do Gabriel.

Baguete Záffari

Estou já há alguns dias em São Paulo, trabalhando em uma campanha muito legal para o Yahoo! Brasil. Para quem não sabe, conseguimos contratar a Celestial Marketing, uma empresa americana que vai fazer um eclipse para nós.

O trabalho está muito divertido, mas é difícil cozinhar. O hotel não tem fogão, o que dificulta muito as atividades culinárias. E cozinhar em microondas é mais ou menos como nadar em uma piscina de mil litros. Dá pra fazer, mas fica ridículo.

Há, entretanto, um motivo ainda maior. Como a namorada está em Porto Alegre, não há motivação. Cozinhar é flertar. E esse é o único jeito honesto de tratar a culinária.

Mas contra todas estas forças que me prendiam ao mundo sombrio da telentrega, resolvi preparar algo. Fui com o Solon até o Zaffari, que aqui em São Paulo se escreve Záffari, assim mesmo com acento, para que ninguém erre a pronúncia.

Aqui vale um comentário. Em geral, nos supermercados de São Paulo, sempre parece que houve um terremoto. E o atendimento é de campo de concentração. No Zaffari, porém, entramos em um túnel direto para o Rio Grande do Sul: ali estão, no coração da megalópole, a organização e a polidez da província. E o que é melhor: com Pastelina e cacetinho.

Resolvi fazer um sanduíche simples, com ingredientes simples. Nada que demandasse muito trabalho. Assim, criei o Baguete Záffari.

Os 4 ingredientes:

1. Baguete;

2. Queijo parmesão;

3. Presunto cru;

4. Agrião.

Preparo:

Abra o pão. Coloque três camadas de presunto cru e uma camada de fatias finas de queijo parmesão. O presunto cru é bem salgado, então se você colocar muito parmesão provavelmente apareça uma pedra no rim nas horas subseqüentes.

Exagere no agrião. Na verdade, o agrião é a única coisa que faz dessa receita algo publicável. Não que ela seja ruim. Muito pelo contrário, é bem gostosa. É que qualquer um colocaria rúcula, alface ou tomate. Aqui, a coragem é o agrião.

Champignon Al-Qaeda

Como se percebe, eu sou péssimo batizando receitas. Mas o sabor desse prato simples e saudável é inversamente proporcional ao apuro estético de seu nome. Infelizmente a câmera ficou sem bateria assim que tirei do forno. Então vamos num all-type cousine.

Os 4 ingredientes:

- Pão árabe – Três discos

- Champignons frescos – 20 unidades

- Cebola – uma grande

- Rúcula

Preparo:

Lave bem os cogumelos, corte-os em fatias finas e reserve. Pique a cebola e refogue até dourar. Junte os cogumelos. Eles vão fritar por instantes e logo vão perder bastante água. Salgue a gosto. Abaixe o fogo e mantenha a panela semi-tampada até quase secar.

Distribua o preparado sobre os três discos de pão árabe e leve ao forno pré-aquecido por 10 minutos. Antes de servir, salpique com tiras finas de rúcula.

Basco Loco

Fiz esta receita no sábado à noite e queria postá-la no domingo. Por causa dela, entretanto, fiquei em modo vegetativo durante 36 horas. Agora que acabo de acordar do coma, resolvi publicar.

Batizei-a de Basco Loco porque o primeiro contato que tive com ela foi num boteco com esse nome, aqui em Porto Alegre. A versão original, que se chama Fradiablo, leva açucar. A minha adaptação, no entanto, é muito mais saborosa. Salvo na caipirinha, o açucar costuma estragar a bebida.

Na verdade, como cada um dos ingredientes é levemente adocicado o açucar seria até redundante.

Os 4 ingredientes:

1. Saquê;

2. Morangos;

3. Pimenta rosa em grãos;

4. Gelo.

Preparo:

Em um copo americano tradicional, coloque alguns grãos de pimenta rosa: o suficiente para cobrir o fundo do copo. Com um socador, macere os grãos até que todos se partam. Escolha seis morangos bem maduros e lave-os. Coloque no copo e amasse, como se estivesse preparando uma caipirinha.

Encha o copo com cubos de gelo e complete com saquê até a borda. Certifique-se que ninguém precisará de sua presença pelos próximos dois dias e beba.

Frango à Manfredini

Eu plantei temperos no quintal da LiveAD, empresa em que trabalho há mais de três anos. Hoje pela manhã fui colher algumas especiarias e resolvi fazer um prato para o almoço do pessoal. Colhi manjericão e pimenta vermelha, o que me deixava com espaço para apenas mais dois ingredientes.

Fui ao supermercado e depois de colocar quase todas os produtos comestíveis no carrinho, acabei optando por pimentão vermelho e peito de frango. Essa é uma receita leve, rápida, barata e, sobretudo, muito gostosa.

Os 4 ingredientes:

1. Três peitos de frango desossados;

2. Dois pimentões vermelhos;

3. Duas pimentas vermelhas;

4. Cinco ramos de manjericão fresco.

Preparo:

Corte o peito em pequenos filés e reserve.

Tire as sementes da pimenta e pique em pedaços miúdos. Corte o pimentão em tiras finas. Pique o manjericão. Junte os três ingredientes e misture aos filézinhos de frango. Deixe descansar por 40 minutos e frite em uma frigideira com óleo quente.

O pimentão vermelho dá um toque adocicado que combina muito bem com o picante da pimenta.

Gastamos 45 reais e comemos em 07 pessoas, refrigerante incluso. A receita, então, serve 07 boas porções. Mas com uma simples regra de três, você a prepara para quantas pessoas quiser.

Massa com Gorgonzola

Basicamente, essa é uma Massa aos Quatro Queijos, apenas com o que realmente importa, ou seja, o Gorgonzola. De fato, apesar de muito mais simples, é um prato tão ou mais saboroso que o tradicional Quattro Formaggi. É muito rápido de preparar e causa uma ótima impressão.

Os 4 ingredientes:

1. Um pacote de massa – a melhor é fusili, porque ‘pega’ melhor esse molho que é bastante ralo.

2. Queijo Gorgonzola – 200g

3. Creme de leite ou nata – 300g

4. Cebolinha verde – 4 folhas (ou talos?)

Preparo:

Coloque o gorgonzola picado e o creme de leite em uma panela. Aqueça em fogo baixo, sempre mexendo e sem deixar ferver. Deixe o queijo derreter por inteiro e então junte a cebolinha bem picada. Não salgue, pois o Gorgonzola já é bem salgado. Reserve.

Aqueça uma panela de água com um generoso fio de óleo e uma colher de sopa de sal. Quando ferver, junte a massa. Cozinhe até ficar al dente. Escorra. Aqueça o molho – sem deixar ferver – e misture. Está pronto!

Já pedi massa com os mais variados molhos de queijo em um número incontável de estabelecimentos e digo com segurança que esta receita é melhor que a grande maioria.

Sanduíche de Manga com Queijo Brie

Parece chique. E esse é o trunfo deste prato. Quando prepará-lo, vai parecer que você tem uma vasta cultura culinária. Afinal misturar manga com queijo não é pra qualquer um. Mas aí é que você se engana. Esta é a simplificação de uma receita muito conhecida na Inglaterra. A original leva uns grãos esquisitos que eu não sei o nome, mas que não importa, já que eles não têm nenhum gosto mesmo.

Os 4 Ingredientes:

1. Baguete

2. Manga

3. Queijo Brie – pode substituir por outro queijo claro

4. Rúcula

Preparo:

1. Corte o baguete ao comprido.

2. Faça tiras finas de manga e coloque uma camada dentro da baguete.

3. Faça o mesmo com o queijo brie.

4. Sobre os dois, duas ou três camadas de rúcula.

Este é um prato bacana para os dias quentes, apesar da Maíra ter aprendido em Oxford, onde faz 10 graus negativos no inverno.

Bom apetite!


Sobre o 4 Ingredientes

Você já procurou receitas na internet e não conseguiu prepará-las por conta da quantidade indecente de ingredientes? Sem falar na dificuldade de encontrar coisas como angustura, salsão, alho-poró e cardamomo, se é que elas existem. O 4 Ingredientes é um blog de receitas que só levam, claro, quatro ingredientes. Em tempo: água, sal e óleo não são ingredientes. Bom apetite!

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